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Um sonho - Diogo Medeiros de Freitas


Havia, há um tempo, um sonho. Um sonho muito bonito. Algo mágico e fantasioso que podia aguçar a mente e levá-la para longe de qualquer parte do planeta.

Esse sonho era completo, cheio de cores, luzes e formas. Era algo que lhe chamava cada vez mais, que podia lhe enfeitiçar em questão de minutos, quem sabe até em segundos. Não era limitado. Podia tudo. Permitia tudo.

Era um sonho que merecia ser buscado e alcançado, porém exigia preparo físico e psicológico. Ele era demais para qualquer um. Poucos conseguiriam. Apenas aqueles que podiam ver além das nuvens que margeavam todo o seu esplendor. Não bastava ser bom. Tinha que ser o melhor. Tinha que ter o diferencial para ser aceito.

Por dentro ele era feito de vidro, madeira e cheiros. Muitos cheiros, por todos os lados. Doces, florais, frutais, gourmands. Por atrás de cada cheiro haveria uma história a ser descoberta. Uma flor nova a ser sentida e acariciada. Cada pedaço desse sonho era composto por uma infinidade de notas que podiam se juntar e formar um acorde diferente podendo se adaptar a qualquer coisa, qualquer pensamento, qualquer desejo. Esse era o sonho.

Todo o sonho, porém, um dia acaba. Vira realidade na maior ou menor parte das vezes. Um sonho que foi alcançado após uma preparação intensa, horas a fio de estudo e leitura para compreender sua complexidade. Para poder um dia ter o privilégio de poder tocar em suas margens.  O sonho mostra-se menos complexo, onde as notas formam acordes simples. Sem qualquer arranjo harmônico complexo sem pausas ou acordes compostos. Na realidade, há apenas pentagramas escondidos por trás de uma infinidade de notas desenhadas ao acaso sobre uma folha que um dia fora branca.

O sonho começa a se mostrar simples demais. Os vidros que guardavam seu maior segredo, nada mais são do que recipientes que apresentam um conteúdo líquido, límpido e nem tão agradáveis assim. As notas que em algum momento pareceram difíceis, árduas formam na realidade acordes simples de apenas três ou quatro sons distintos entre si. Compô-las ainda é para poucos.

Permite-se treinar o que lhe é conveniente. É importante saber qual a diferença entre a saída e o fundo de um acorde, mas e daí se o que se diz não se é ouvido. Se o que existe não pode ser mexido. Se o poderoso sonho não pode ser tocado por comuns.

Na realidade, o sonho continua sendo para poucos. O feitiço lançado é poderoso. Cega os comuns e desavisados. Basta apenas um pouco de tempo e atenção para perceber que poucos são escolhidos por que são parte daquele sonho. Não são escolhidos porque são melhores ou piores. Basta fazer parte.

As sinfonias de notas, cores, odores e formas, oferecem algo que não apetece aos melhores sonhadores. Estes descobrem, cedo ou tardiamente, que podem ser mais do que lhes é oferecido. Consegue visualizar que podem muito mais do que tocar aquelas margens enevoadas e que o sonho se torna pequeno. Em um dado instante é possível ouvir em meio a tanto barulho o ruído de um coração batendo, desesperado para ser ouvido.

O coração pode estar cansado e não pára de bater. De repente ruído se torna batidas freqüentes que interrompem a harmonia ambiental. É uma batida ritmada que grita:

- Acorda. Esse não é seu mundo. Ainda há muito para ver.

De repente, não há mais sonho. O céu está livre. O sonho está preso em paredes agora brancas e cinzas. Não enfeitiça e não cega mais. Agora é limitado e é suprimido pela voz do coração, que pode cantar mais alta do que qualquer nota, música ou sinfonia.

Há muito mais para ver e conquistar é o que canta a voz do coração. E pela primeira vez a mente acorda confusa de algo que parecia ser muito bom. Era um sonho

 

Diogo Medeiros de Freitas.

17/08/2010


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