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Princípio masculino e princípio feminino - Uma visão


Princípio masculino e princípio feminino – Uma visão

 

Esses dias relendo um texto de Aristóteles e refletindo sobre ele tive vontade de escrever   como a vida é mesmo sábia  e paradoxal – quando procuramos o equilíbrio e acreditamos que estamos vivendo-o plenamente , parece que milhões  de minhocas debaixo da terra  se movem unidas e determinadas a mexer com nossas estruturas e a arrancar nossas raízes. Quem sabe se viver não é justamente arrancar da terra as crenças, regras, padrões  arraigados e profundamente  presos lá no fundo da terra? A verdade é que  corremos atrás  do meio-termo desesperadamente e esquecemos que para chegar a ele, muitas vezes temos que pular de um  extremo ao outro. E isso é um longo caminho.

E o que é viver esse tal de meio-termo? Se perguntarmos  a um homem ele poderá dizer que viver neste estado é  viver uma  estabilidade financeira, ter uma “boa” família , uma “boa” casa, um carro do ano e emprego que não lhe dê excessiva dor de cabeça.

Ora, estas coisas são boas, mas externas demais; algo  está faltando. Aí, eu que sou mulher, me pergunto e me questiono a respeito da mesma questão; e respondo:  “ viver no equilíbrio do meio-termo é sentir segurança lá dentro e expressá-la lá fora.”

Mas não devemos nos enganar, homens e mulheres, pois o equilíbrio é passageiro e é nisto que repousa o  sentido da vida – se estamos constantemente no meio termo e não somos capazes de dar um “pulinho” no extremo quando isto se faz necessário, acabamos por nos chocar e nos assustar quando aquelas minhoquinhas remexem   em nossa terra estática e segura, avisando que algo deve mudar, transformar e crescer em nossa existência.

Isto me faz pensar no homem como terra e a mulher como minhoquinhas imprevisíveis que vem balançar aquilo que parece tão seguro e firme – o intelecto do homem . E por mais que este se incomode ou ignore as “loucuras” das mulheres, ele sabe no fundo que só ela lhe traz a insegurança necessária para  que ele reinicie a busca do próprio equilíbrio. Ela, por sua vez, com toda a sua imprevisibilidade tentar encontrar no homem o porto-seguro e sereno do meio-termo através do racional próprio do princípio masculino – o outro lado da  moeda: cara-coroa/ razão-sensibilidade.

E assim caminha um e outro , entre a dor e o prazer de serem humanos incompletos e inseguros, porém desejosos de encontrar no outro aquilo que lhes falta (ou o princípio masculino ou o feminino).

 

Alessandra Andre – Psicóloga

 


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Dra. Alessandra Rosa Andre
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