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Reflexão sobre o vazio. Quem nunca o sentiu?


 Reflexão sobre o vazio. Quem nunca o sentiu?

Uma das coisas que mais angustiam o homem é o desejo de preencher um vazio presente tanto na sua condição fisiológica quanto na vida psíquica, social, intelectual, etc. Porém é mais angustiante saber que este vazio jamais se preenche, pelo simples fato de que, se isso ocorrer, nada mais, será necessário realizar, chegando o homem á morte. Esta, por sua vez, é o preenchimento total do vazio, assim como também ocorre no útero materno. Mas será mesmo uma angustia descobrir que nada se preenche? Ou será um alívio perceber que não somos obrigados a preencher nada e que podemos realizar as coisas com prazer?

Sentindo este alívio “relaxamos e gozamos” e começamos a fazer as coisas pelo prazer que elas nos proporcionam e não porque temos que obter um resultado final a qualquer custo (gozo).

O simples fato de buscar o preenchimento leva o ser humano a sempre buscar mais, mas nunca visa o preenchimento total, pois isto implica no fim da busca – a morte.

Parece contraditório o desejo de preenchimento do vazio e o medo da morte (em todos os sentidos). Se quero preencher, quero matar o vazio; se mato o vazio, não me resta mais nada a fazer com ele, a não ser sentir o gozo que isto proporciona. E é aí que o prazer acaba. Ao mesmo tempo queremos prolongar o prazer e matá-lo. Que angustia !!!

Este movimento contraditório dá sentido á vida. Ele é essencial para manter o homem vivo e o desejo deste homem sempre o levara a buscar mais e mais. A única coisa que pode frear essa busca é a morte seja ela qual for...

Rubem Alves diz que a vida precisa do vazio: a lagarta dorme num vazio chamado casulo até se transformar em borboleta. A música precisa de um vazio chamado silêncio para ser ouvida. Um poema precisa do vazio da folha de papel em branco para ser escrito. E as pessoas, para serem belas e amadas, precisam ter um vazio dentro delas. A maioria acha o contrário; pensa que o bom é ser cheio. Essas são as pessoas que se acham cheias de verdades e sabedoria e falam sem parar, não dando tempo para ser preenchida com mais conhecimento. Há pessoas que falam pouco, mas dizem o que sente e sabem escutar. A essas pessoas é fácil amar. Elas estão cheias de vazio. E é no vazio da distância que vive a saudade...

 Por Alessandra Rosa André - Psicóloga                  Maio /2008


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Dra. Alessandra Rosa Andre
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